sexta-feira, 10 de agosto de 2012

1945.

   Ele a olhava. Com os olhos castanhos perfurando os olhos negros dela. E aquele momento foi o mais próximo que ela chegou de dizer "Eu amo você".  Mas não o fez. Ela não tinha certeza ainda, não sabia se seria verdadeiro. E eles haviam feito uma promessa, nunca mentiriam um para o outro. E aquilo, era uma regra. Era a prova mais bonita que havia relacionamento entre os dois. E ela sempre soube, que fora o mais sincera possível com ele, ou seja, nunca mentiu. Pelo menos, não depois de ter feito a promessa. Ela tinha as mãos dele pressionadas contra as dela, eles apertavam as mãos, como se fosse um abraço. Talvez eles já tivessem passado por aquela "separação" em outra vida. Eles sabiam que não estavam separados, porque não estavam teoricamente. Estavam um do lado outro, mas estavam separados pelas circunstâncias. Ele poderia morrer, ela poderia morrer.
  - Eu só quero te dizer que você foi... - ela dizia, mas ele a interrompeu.
  - Não quero ouvir isso agora - ele sorria para ela - Isso não é um tipo de despedida. Guarde o que você tem para me falar para o fim da guerra.
  E ela se calou, contraditória. Ela queria dizer, mas não disse. Ficou ali parada, olhando para ele, como se suplicasse com os olhos para que ele a deixasse falar, ela precisava falar. Mas nada aconteceu. Os dois foram chamados para tomar seus postos. Estavam a trinta metros um do outro, mas ainda sim trocaram sorrisos e um "boa sorte", nenhum tipo de "amo você" foi dito, por parte dos dois. Ela se arrependeria alguns momentos depois.
   O tiroteio começou, eles seriam reduzidos, pensou ela. Não restaria ninguém. Só podia. Era a pior batalha de sua vida, a mais sofrida. Mas ela estava enganada. Nem de longe aquilo seria o pior momento da sua vida. Nem se compararia. E eu posso lhe adiantar, que ela preferiria passar por aquilo mais 15 milhões de vezes, se pudesse impedir o que houve. Mas não pôde. Ela o viu morto. Se engasgando com o sangue. Sofrendo e morrendo de dor. Com Aleksei ao seu lado, injetando uma quantidade de morfina que mataria uma baleia azul.  Ela correu. Quebrando todas as regras de segurança, jogando para os ares toda a estratégia.
   - VOLTE AQUI! - gritou Han. - VOCÊ VAI ESTRAGAR TUDO, ELE JÁ ESTÁ MORTO!
   - ELE É TUDO! GRAÇAS A ELE ESTAMOS AQUI! - ela disse, já em pé e correndo, em meio a lágrimas de desespero. 
  Quando chegou, viu o rosto encantador coberto de sangue e terra e se contorcendo de dor. Ele ainda não estava morto.
   - Volte para lá Alex - disse Aleksei. - eu cuido dele.
   - Cale a boca Aleksei.
   Desesperadamente ela quis dar a sua vida em troca da dele, fez milhares de orações em troca da vida, inventou palavras, pediu com tanto força que era impossível Deus não ouvi-lá. Mas nada aconteceu, e ela o viu morrer. Bem em frente aos seus olhos, ela viu tudo o que mais amou fechando os olhos e se despedaçando. Ela quase pode enxergar a alma dele saindo para fora do corpo. Mas ela agarrou-se a ele, implorando para que vivesse.
   - Por favor, só mais um pouco! Por favor, olhe para mim, olhe aqui! EI, eu estou aqui! Por favor me escute! Eu te amo! Eu amo você, por favor fique aqui! Por favor Frans, não vá! Eu te amo, te amo mais que tudo! Por favor...
  E chorou.

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